sábado, outubro 15, 2005

INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ


PETIÇÃO SOBRE O ABORTO


Como é do conhecimento geral, tem-se observado nestes últimos meses uma incessante labuta do Bloco Esquerda para realizar o referendo do aborto ainda antes das Eleições Presidenciais (Janeiro de 2006).

O receio da eleição por sufrágio de um presidente de direita, amedronta todos aqueles que demandam para que esta prática seja despenalizada ou até mesmo legalizada.

Muitos opõem-se à ideia do aborto, uns porque defendem o direito à vida, outros porque não querem que seja o contribuinte a embolsar o montante necessário para esta pratica ser realizada em meio hospitalar, e outros ainda porque acham que o trauma abortivo é avassalador.

Acho que o referendo não deve ser realizado para já, sem antes efectuar uma preparação pedagógica e elucidativa dos vários pontos de vistas e sobre todo o processo e implicações da interrupção voluntária da gravidez, a todos os portugueses. Defendemos isto porque foi claro que no último referendo, muitos ainda não sabiam o que é abortar: “Eu???! Eu nunca fiz um aborto!! Só fiz 3 desmanchos!”.

Também se assistiu a comentários mais infelizes e machistas como: “As mulheres só nascem para a ter filhos”.

Não quero, deste modo, transparecer que sou contra a interrupção voluntária da gravidez. Somos defensores que toda a Mulher deve tomar uma decisão consciente e qualquer decisão é legítima, ou seja, é ACEITÁVEL, não sendo, de forma alguma, de aplaudir e enaltecer. O aborto nunca é uma decisão tomada de ânimo leve, é sempre um último recurso. Temos que considerar ainda que nem todos os científicos consideram um blastocisto (designação atribuída ao botão embrionário) como um Humano.

Balelas, são os traumas que se associam a todas as mulheres que praticam o aborto. Uma tomada de decisão CONSCIÊNTE não se revela tão nefasta como os activistas contra o aborto querem fazer parecer, como forma manipulatória para seu proveito. Trauma, para esses casais, é por vezes desenvolver uma gravidez, trazendo ao mundo uma criança que não desejam, seja por não terem condições, seja por ter sido um “acidente”, ou até porque não planejam essa responsabilidade na altura do acontecimento.

Será justo condenar uma mulher, que deseja sujeitar-se ao aborto, simplesmente porque tem outras ambições na vida, naquela circunstância?!?

Os tempos são outros…não sendo honesto, nem intelectualmente correcto, afirmar que é análogo o estilo de vida antes da emancipação da mulher, ao da vida actual. Afortunadamente, hoje em dia, a mulher tem um papel igualmente activo na sociedade, onde tem direito à realização tanto pessoal como profissional. Ter um filho nem sempre é plausível, compatível e adaptável à vida do casal, e negar este facto seria uma tremenda fantasia.

Apesar disso, não aprovo de forma alguma que, por estas razões, a intervenção voluntária da gravidez seja paga pelo contribuinte!
É lícito que seja o casal a assumir essa consequência.